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São Paulo

Método de vídeos provocativos em universidades impulsiona carreira de políticos de direita

Políticos e influenciadores de direita gravam confrontos com estudantes em universidades públicas de São Paulo para viralizar nas redes, gerando debates sobre ética e radicalização.

Crédito: Carla Sena/Arte Metrópoles

Raphael Nogueira Felix
28 de junho de 202602:29
Atualizado agora há pouco às 05:29

Uma estratégia adotada por políticos e influenciadores de direita tem gerado polêmica nas universidades públicas de São Paulo. Trata-se da gravação de vídeos em que eles provocam estudantes com perguntas sobre temas como aborto, religião e sexualidade, com o objetivo de viralizar nas redes sociais e impulsionar suas carreiras eleitorais.

Os vídeos seguem um roteiro padrão: o político ou influenciador aborda alunos em campus universitários, faz perguntas polêmicas e registra as reações. O material é editado e publicado, muitas vezes gerando grande engajamento. Cientistas políticos consultados classificam a prática como "isca de ódio", alertando que ela alimenta a radicalização em vez de promover o debate saudável.

Um dos expoentes dessa tática é o vereador Lucas Pavanato (PL), eleito com a maior votação do Brasil em 2024. Com 5 milhões de seguidores no Instagram, Pavanato ganhou notoriedade ao gravar vídeos na Universidade de São Paulo (USP). Em um deles, perguntou: "Aborto é assassinato sentado?" e "Me prove que o governo Lula é bom e ganhe 1.000 reais". As provocações já resultaram em episódios de violência e em uma condenação por danos morais, na qual o político teve que pagar R$ 8 mil a uma estudante por uso indevido de imagem.

Pavanato defende que sua intenção é promover a pluralidade de ideias em ambientes que, segundo ele, seriam dominados por uma minoria organizada de esquerda. Ele afirma que os diretórios estudantis e departamentos de humanas suprimem a diversidade de pensamento, e que seus vídeos incentivam a ocupação conservadora nas universidades.

Outro nome que adota a mesma estratégia é Victor Ruiz, guarda civil municipal e influenciador. Um de seus vídeos na USP ultrapassou 2 milhões de curtidas e 125 mil comentários no Instagram. Ruiz, no entanto, nega que tenha pretensões eleitorais, classificando a atividade como uma "vocação". Apesar disso, especialistas apontam que o método é semelhante ao de Pavanato e serve para alavancar popularidade.

A prática não é nova no Brasil. Ela foi iniciada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), como Arthur do Val e Kim Kataguiri, em 2014. Mais recentemente, o ativista americano Charlie Kirk serviu de inspiração para a nova geração da direita brasileira, que passou a frequentar faculdades para debater pautas polêmicas.

A cientista política Juliana Fratini observa que, embora a direita tenha mais engajamento nas redes, a esquerda também utiliza táticas semelhantes, o que pode promover a democracia nos espaços públicos. No entanto, ela ressalta que a abordagem agressiva não deveria ser o caminho ideal para o debate político.

Os críticos da estratégia apontam que os vídeos são roteirizados e produzidos com investimento significativo em equipamentos e equipe. O objetivo não é o diálogo construtivo, mas sim a viralização e o lucro político. A prática levanta questões sobre os limites entre liberdade de expressão e exploração do conflito para ganho pessoal.

Enquanto isso, as universidades públicas continuam sendo palco de disputas ideológicas, com grupos tentando ocupar esses espaços de maneiras distintas. O debate sobre o papel das instituições de ensino superior na formação política dos jovens segue acirrado, e a "isca de ódio" se consolida como uma ferramenta controversa no cenário político brasileiro.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/metodo-isca-odio-direita-universidades

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