O Ministério da Justiça e Segurança Pública inaugurou, nesta quarta-feira (1º/7), o Escritório Nacional Antifacção de São Paulo, uma estrutura voltada ao combate ao crime organizado. A unidade está localizada na região da Luz, no centro da capital paulista, e funcionará como ponto permanente de articulação entre órgãos federais, estaduais e municipais.
O escritório integra o Programa Brasil contra o Crime Organizado e terá como foco principal o desenvolvimento de ações de inteligência e estratégias para enfrentar organizações criminosas. De acordo com a pasta, o objetivo é “asfixiar” financeiramente as facções, cortando suas fontes de receita e dificultando a lavagem de dinheiro.
O ministro Wellington César Lima e Silva destacou que a iniciativa leva a presença do Estado aos locais onde os desafios são mais urgentes. “Não é possível enfrentar organizações criminosas apenas a partir de Brasília. É preciso estar nos territórios estratégicos, dialogando diariamente com as polícias, ministérios públicos e sistema financeiro”, afirmou.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, reforçou que o combate ao crime organizado deve ocorrer em várias frentes, com ênfase no crime financeiro. “A ideia do escritório é justamente combater o crime organizado asfixiando financeiramente essas organizações”, disse.
Além da integração entre as forças de segurança, a unidade coordenará iniciativas de intercâmbio de informações estratégicas e de inteligência, além de atuar em cooperação com órgãos de persecução penal e instituições financeiras. A coordenação do escritório em São Paulo ficará a cargo do ex-ouvidor das Polícias de São Paulo, Benedito Mariano.
Novos escritórios semelhantes devem ser inaugurados no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu, ampliando a rede de enfrentamento ao crime organizado. A escolha dessas cidades leva em conta a presença de facções e a relevância estratégica para o tráfico de drogas e armas.
Durante a inauguração, o ministro também comentou sobre a recente decisão do Departamento de Tesouro dos Estados Unidos de sancionar dois brasileiros e três empresas por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele afirmou que a designação norte-americana tem efeitos apenas dentro dos Estados Unidos e não ultrapassa a soberania brasileira. “Todas as nações devem aprofundar seus mecanismos de combate ao crime organizado, desde que a soberania do outro país seja respeitada”, ressaltou.
O secretário Chico Lucas complementou que os Estados Unidos têm autonomia para definir suas estratégias, mas é fundamental respeitar o ordenamento jurídico brasileiro. “A cooperação internacional é parte da matriz de ação do governo federal e continuaremos a fazê-lo”, afirmou.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/crime-organizado-ministerio-da-justica-inaugura-escritorio-antifaccao-em-sp


