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São Paulo

Morte de suspeito de atentado contra tenente da Rota levanta dúvidas sobre investigação

Marcelo de Jesus Dias, apontado como piloto da moto usada no ataque ao tenente Ronickson Pimentel, foi morto em confronto com a Rota. Polícia Civil foi comunicada horas depois, e câmeras corporais não foram entregues imediatamente.

Marcelo de Jesus Dias, suspeito de ataque a tenente da Rota, morre em confronto. Polícia Civil foi comunicada horas depoisFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
13 de julho de 202602:18
Atualizado há 1 dia às 05:18

Apontado como o piloto da moto usada no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota, Marcelo de Jesus Dias, conhecido como Nego Zum, foi morto na manhã de quinta-feira (9/7) em uma troca de tiros com policiais da mesma tropa do oficial. O caso ocorreu na favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo, e levanta questionamentos sobre a condução das investigações.

Nego Zum era considerado peça-chave para esclarecer a motivação do crime, ocorrido em 27 de junho em São Caetano do Sul (SP). O tenente foi baleado na nuca e permanece internado em estado grave, porém estável, no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.

De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles sob anonimato, a morte do suspeito interfere diretamente no avanço das apurações sobre o atentado, que apresenta características de tentativa de execução. Um segundo homem, ainda não identificado, também morreu no local.

A versão dos policiais sobre o confronto teria sido registrada por câmeras corporais, mas as imagens não foram fornecidas imediatamente à Polícia Civil. No boletim de ocorrência, o delegado Lucas Ventura de Aquino, do DHPP, registrou que o PM responsável afirmou “não possuir acesso ao conteúdo gravado”, alegando que os vídeos precisariam ser requisitados ao Setor de Justiça e Disciplina do 1º Batalhão de Choque.

O próprio delegado destacou que a dinâmica apresentada pela PM é preliminar e depende da análise de laudos periciais e das imagens captadas pelas câmeras. Os vídeos foram requisitados à Justiça por e-mail institucional ainda durante o plantão.

O tiroteio ocorreu por volta das 8h26, mas a PM só comunicou o fato ao distrito policial às 10h58, cerca de duas horas e meia depois. O DHPP foi avisado às 11h57. A equipe de homicídios chegou ao local às 13h40, mais de cinco horas após os disparos. Quando os investigadores chegaram, o imóvel estava preservado por uma equipe da própria Rota.

Na residência, peritos encontraram sangue no piso e marcas de tiros nas paredes. Segundo a versão dos PMs, Nego Zum foi atingido na cozinha, perto da entrada, e o outro homem, em um quarto no terceiro pavimento. Os dois apresentavam, em análise preliminar, três ferimentos no tórax cada um. Foram apreendidas 12 cápsulas de munição deflagradas no local. A origem de cada disparo ainda depende de exames necroscópicos e balísticos.

“Não possuía acesso ao conteúdo gravado”, afirmou o PM responsável, conforme registrado no boletim de ocorrência, ao ser questionado sobre as câmeras corporais.

A Polícia Civil não encontrou testemunhas presenciais, mas identificou câmeras de estabelecimentos próximos que podem ter registrado a movimentação. A investigação segue sob sigilo, enquanto a morte do principal suspeito complica o esclarecimento do atentado contra o tenente da Rota.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tenente-baleado-com-morte-de-suspeito-rota-silencia-peca-chave-do-caso

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