Apontado como o piloto da moto usada no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota, Marcelo de Jesus Dias, conhecido como Nego Zum, foi morto na manhã de quinta-feira (9/7) em uma troca de tiros com policiais da mesma tropa do oficial. O caso ocorreu na favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo, e levanta questionamentos sobre a condução das investigações.
Nego Zum era considerado peça-chave para esclarecer a motivação do crime, ocorrido em 27 de junho em São Caetano do Sul (SP). O tenente foi baleado na nuca e permanece internado em estado grave, porém estável, no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles sob anonimato, a morte do suspeito interfere diretamente no avanço das apurações sobre o atentado, que apresenta características de tentativa de execução. Um segundo homem, ainda não identificado, também morreu no local.
A versão dos policiais sobre o confronto teria sido registrada por câmeras corporais, mas as imagens não foram fornecidas imediatamente à Polícia Civil. No boletim de ocorrência, o delegado Lucas Ventura de Aquino, do DHPP, registrou que o PM responsável afirmou “não possuir acesso ao conteúdo gravado”, alegando que os vídeos precisariam ser requisitados ao Setor de Justiça e Disciplina do 1º Batalhão de Choque.
O próprio delegado destacou que a dinâmica apresentada pela PM é preliminar e depende da análise de laudos periciais e das imagens captadas pelas câmeras. Os vídeos foram requisitados à Justiça por e-mail institucional ainda durante o plantão.
O tiroteio ocorreu por volta das 8h26, mas a PM só comunicou o fato ao distrito policial às 10h58, cerca de duas horas e meia depois. O DHPP foi avisado às 11h57. A equipe de homicídios chegou ao local às 13h40, mais de cinco horas após os disparos. Quando os investigadores chegaram, o imóvel estava preservado por uma equipe da própria Rota.
Na residência, peritos encontraram sangue no piso e marcas de tiros nas paredes. Segundo a versão dos PMs, Nego Zum foi atingido na cozinha, perto da entrada, e o outro homem, em um quarto no terceiro pavimento. Os dois apresentavam, em análise preliminar, três ferimentos no tórax cada um. Foram apreendidas 12 cápsulas de munição deflagradas no local. A origem de cada disparo ainda depende de exames necroscópicos e balísticos.
“Não possuía acesso ao conteúdo gravado”, afirmou o PM responsável, conforme registrado no boletim de ocorrência, ao ser questionado sobre as câmeras corporais.
A Polícia Civil não encontrou testemunhas presenciais, mas identificou câmeras de estabelecimentos próximos que podem ter registrado a movimentação. A investigação segue sob sigilo, enquanto a morte do principal suspeito complica o esclarecimento do atentado contra o tenente da Rota.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tenente-baleado-com-morte-de-suspeito-rota-silencia-peca-chave-do-caso


