O entorno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considera a área econômica um dos principais gargalos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A leitura é compartilhada por auxiliares do Palácio dos Bandeirantes, que veem risco na falta de uma liderança com capacidade de dialogar com o setor produtivo.
Segundo interlocutores, o mercado financeiro, especialmente em São Paulo, esperava a presença de um nome de maior expressão para explicar as propostas econômicas do senador. A ausência de um porta-voz com peso é vista como um obstáculo para conquistar a confiança de empresários e investidores.
Um dos motivos de apreensão é a possível indicação da economista Daniella Marques (Republicanos) para a vice-presidência na chapa. Ela é apontada como um elo de Flávio com o setor econômico, mas sua trajetória é considerada curta para dar sustentação ao projeto.
Daniella Marques foi chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos do Ministério da Fazenda no governo Jair Bolsonaro e assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal em junho de 2022, permanecendo no cargo por menos de seis meses. Apesar do currículo, ela ainda é rotulada como “auxiliar de Paulo Guedes” ou “dente de leite” por parte do mercado.
A avaliação interna é de que Flávio ainda não conseguiu transmitir a mensagem de que sua política econômica será diferente da petista, algo que seus adversários históricos conseguiram com nomes como Henrique Meirelles e Paulo Guedes.
Nos bastidores, empresários paulistas mencionam a expectativa de que nomes como Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional, ou Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, pudessem integrar a equipe econômica da campanha. Ambos têm bom trânsito no mercado e participaram do governo Bolsonaro.
No início da pré-campanha, Tarcísio afirmou que ajudaria Flávio no diálogo com o setor produtivo. No entanto, auxiliares do governador demonstram incômodo com a falta de interesse do senador em buscar essa ajuda. A proximidade entre os dois é monitorada, mas a economia segue como um ponto de atenção.
Enquanto Flávio concentra seus discursos na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliados de Tarcísio reforçam a necessidade de apresentar propostas concretas. A indefinição no comando econômico da campanha pode influenciar a percepção do mercado sobre a viabilidade do projeto.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tarcisio-falta-peso-agenda-economica-flavio

