UrgenteAlta de hepatite A em SP reacende debate sobre saneamento e alimentação
← Voltar

São Paulo

Alta de hepatite A em SP reacende debate sobre saneamento e alimentação

Estado registra 1.880 casos no primeiro semestre de 2026, superando todo o ano de 2025; Ribeirão Preto concentra maioria das ocorrências.

ilustração colorida mostra orgãos do corpo humano, com fígado em destaque na cor amarela. Sebastian Kaulitzki/Science Photo Library/Getty Images
Raphael Nogueira Felix
3 de agosto de 202617:46
Atualizado agora há pouco às 20:46

O número de casos de hepatite A no Estado de São Paulo cresceu de forma expressiva neste ano. Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam que, apenas no primeiro semestre de 2026, foram registrados 1.880 casos da doença, número que já supera o total de 2025, quando houve 1.663 ocorrências.

O avanço da doença acende um alerta para as condições de infraestrutura e hábitos de consumo. De acordo com o Instituto Trata Brasil, a falta de saneamento básico é um dos fatores que contribuem para a transmissão, especialmente em áreas próximas a rios e córregos poluídos por esgoto sem tratamento.

Nessas regiões, é comum que famílias inteiras enfrentem episódios recorrentes de diarreia, hepatite A e outras enfermidades relacionadas à ausência de coleta e tratamento de esgoto. Segundo o DATASUS, somente no Sudeste foram mais de 109 mil internações e 2.052 óbitos por essas doenças em 2024.

O impacto recai de forma mais intensa sobre a população de baixa renda. O estudo aponta que, na capital paulista, as pessoas afetadas pela falta de saneamento têm, em média, renda de R$ 1.341,90, nove anos de educação formal e residem em locais com aluguel médio de R$ 556,63.

Apesar disso, a cidade de São Paulo está entre as menos atingidas pela doença, com apenas 0,7% da população sem coleta de esgoto. A Sabesp, responsável pelo serviço na capital, não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre as medidas para alcançar o índice de 99,3% de saneamento na cidade.

Em Ribeirão Preto, a situação é diferente: foram 1.024 casos de hepatite A entre janeiro e julho de 2026, o maior número do estado. A subsecretária de Vigilância em Saúde do município, Luzia Márcia Romanholi Passos, afirma que o surto não tem relação direta com o saneamento básico, mas sim com a alimentação.

Segundo ela, o consumo de alimentos mal lavados e preparados por pessoas portadoras da doença foi um agravante. A cidade chegou a registrar 73 casos em uma única semana. «Nós tivemos caso de duas pacientes trabalharem numa pastelaria e, depois no estudo da cadeia de transmissão, nós chegamos nessas duas pessoas através de outro paciente», afirmou.

A subsecretária ressalta que, embora a falta de saneamento seja uma das causas da transmissão, surtos em grandes centros urbanos são muito influenciados pelo mau manejo de alimentos e pela origem duvidosa da comida.

A Prefeitura de Ribeirão Preto, por sua vez, informou que mantém controle rigoroso da qualidade da água e que o saneamento é acessível à população. «O controle da qualidade da água em Ribeirão Preto segue rigorosamente os parâmetros estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021, com análises realizadas nos poços operados pelo município», destacou a administração municipal.

Especialistas recomendam medidas preventivas como lavar bem frutas, verduras e legumes, cozinhar alimentos adequadamente e reforçar a higiene das mãos, especialmente em regiões com histórico de contaminação.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/casos-de-hepatite-a-em-sp-tem-ligacao-com-falta-de-saneamento-entenda

hepatite Asaneamento básicoSão PauloRibeirão Pretosaúde públicaia-auto