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São Paulo

Vídeos de câmeras corporais contradizem versão de PMs em morte de jovem em Paraisópolis

Imagens mostram Igor Oliveira rendido e com as mãos à mostra antes de ser baleado. Policiais foram absolvidos pelo Tribunal do Júri.

Imagem das câmeras corporais dos policiais militares (PMs) envolvidos na morte de Igor Oliveira de Moraes SantosFoto: Reprodução/Polícia Militar
Raphael Nogueira Felix
7 de agosto de 202617:29
Atualizado agora há pouco às 20:29

Imagens captadas por câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo mostram que Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, estava rendido e com as duas mãos visíveis antes de ser atingido pelos disparos que o mataram. O caso ocorreu em julho de 2025, em Paraisópolis, na zona sul da capital paulista.

No vídeo, os policiais entram na casa onde estavam os suspeitos e os encontram em um quarto. Assim que a porta é aberta, todos levantam as mãos e se rendem, sem qualquer reação que pudesse indicar resistência. Apesar da rendição, um dos PMs dispara duas vezes contra a parede, enquanto os suspeitos reforçam: «Perdeu. Perdeu, chefe», implorou um deles.

Segundos depois, dois policiais efetuam novos disparos, que atingem Igor. As imagens mostram que o segundo tiro foi dado quando o jovem já estava neutralizado. Outros suspeitos também foram baleados, mas sobreviveram e foram detidos.

Após os tiros, os agentes sussurram entre si e um deles comenta sobre a câmera corporal. De acordo com a Polícia Militar, os policiais não sabiam que os equipamentos estavam gravando. Um superior hierárquico chegou ao local e pediu explicações, diálogo que também ficou registrado.

Na conversa, os PMs afirmam que os suspeitos estavam atrás da cama, com as mãos abaixando e levantando, e que uma das vítimas teria sacado um objeto. A versão, no entanto, é contradita pelas imagens, que mostram todos os suspeitos com as mãos levantadas e rendidos no momento dos disparos.

Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, apontados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como autores dos tiros que mataram Igor, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri no dia 30 de julho deste ano, após três dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda.

Durante o julgamento, o MPSP sustentou a acusação de homicídio, mas a defesa alegou falta de provas e disse que os policiais agiram em legítima defesa. Os jurados acolheram a tese da defesa, absolvendo os réus. A decisão gerou repercussão, uma vez que as novas imagens contradizem a versão apresentada pelos agentes.

O caso segue sendo acompanhado por entidades de direitos humanos e pela comunidade de Paraisópolis, que cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte do jovem.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/bodycams-mostram-pms-matarem-jovem-rendido-e-com-maos-a-mostra-em-sp

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