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São Paulo

Recapeamento não elimina buracos e São Paulo registra 52 mil pedidos de reparo em seis meses

Apesar do programa de recapeamento, a capital paulista contabilizou quase 52 mil solicitações de tapa-buraco no primeiro semestre, com 38% ainda sem resposta.

Imagem mostra buraco em pavimento de São PauloFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
8 de agosto de 202602:40
Atualizado agora há pouco às 05:40

A Prefeitura de São Paulo anunciou que mais de 1.700 trechos de vias foram recuperados nos últimos anos por meio de um programa de recapeamento. Contudo, os números do primeiro semestre deste ano mostram que o problema persiste: foram quase 52 mil pedidos de tapa-buraco, o que representa uma média de 287 chamados por dia.

De acordo com os dados, 38% das solicitações abertas no período não foram atendidas até o início deste mês. O recapeamento, portanto, não foi capaz, até o momento, de solucionar problemas crônicos no pavimento da capital paulista.

A Rua Vergueiro, na zona sul, é um exemplo citado na reportagem: mesmo após o recapeamento, as falhas no asfalto e nas sarjetas continuam aparecendo. O Metrópoles esteve no local em março de 2024, cerca de três meses depois da obra, e retornou recentemente, constatando que os problemas persistem.

Na altura do número 1.860, as sarjetas estavam rachadas há dois anos e meio, foram reparadas e, mesmo assim, estão novamente danificadas. Essas falhas se repetem ao longo da via, que teve o recapeamento iniciado no fim de 2023.

O mecânico Jorge Brás de Melo, 61 anos, trabalha há mais de quatro décadas no local e afirma que o serviço atual fica distante do padrão do passado. Ele chegou a conversar com um engenheiro responsável pela obra. «Tínhamos um concreto de 30 cm. Ele disse que não era a grossura, mas a qualidade. Fez mais fino, não colocou ferro. Por causa dos coletivos que passam aqui, se não colocar ferro e aumentar o concreto, não vai adiantar nada. É o nosso dinheiro jogado fora», disse.

Especialistas apontam que as falhas nas sarjetas têm relação direta com os danos no asfalto. Em 2024, o professor José Leomar Fernandes Júnior, da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP), explicou que a água escoa pela sarjeta e, quando malfeita, permite a infiltração, diminuindo a resistência da base e acelerando a deterioração dos pavimentos.

As rachaduras observadas na Vergueiro também são comuns em outras vias recapeadas recentemente, como as avenidas Bernardino de Campos e Paulista. Entre as vias com maior número de chamados por tapa-buraco no primeiro semestre, parte delas passou pelo serviço nos últimos anos.

A lista das 20 vias com mais solicitações inclui a Avenida Deputado Cantídio Sampaio, com 230 pedidos, e a Avenida José Estima Filho, com 171. A Avenida Comendador Sant’Anna aparece com 131 chamados, seguida pela Avenida Elísio Teixeira Leite, com 115, e pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, com 108.

A prefeitura, por meio de sua assessoria, não se manifestou até a publicação desta matéria. A reportagem segue acompanhando o andamento dos pedidos e a qualidade das obras de recapeamento na cidade.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pedidos-de-tapa-buraco-persistem-mesmo-em-vias-recapeadas-em-sp

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