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São Paulo

Operação contra golpe do abate de porcos mira esquema que moveu R$ 30 bilhões

Polícia gaúcha deflagra ação contra grupo que aplicou golpe em herdeira de R$ 37 milhões; investigação aponta mais de 140 vítimas e movimentação bilionária.

Foto: Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
14 de agosto de 202609:47
Atualizado há 2 horas às 12:47

Uma aposentada do Rio Grande do Sul, herdeira de patrimônio avaliado em R$ 37 milhões, perdeu todo o valor após cair em um esquema criminoso conhecido como «abate de porcos». A tática consiste em conquistar a confiança da vítima por um longo período até aplicar o golpe final. O caso veio à tona com a deflagração da Operação Criptoabate, na quinta-feira (13/8), pela Polícia Civil gaúcha.

A investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, aponta que o grupo criminoso atuava em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A capital paulista concentra os principais alvos que geriam a falsa plataforma financeira, segundo as autoridades. Estima-se que o esquema tenha feito mais de 140 vítimas em diferentes estados.

De acordo com os investigadores, o grupo movimentou cerca de R$ 30 bilhões em transações suspeitas. Em 2025, uma única empresa localizada no centro financeiro de São Paulo movimentou R$ 500 milhões, o que chamou a atenção das autoridades. A Justiça decretou a prisão preventiva de oito pessoas, e foram expedidas dez ordens de busca e apreensão. Até o momento, dois suspeitos foram presos e seis seguem foragidos.

O delegado Eibert Moreira, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e responsável pela investigação, afirmou que o caso começou a ser apurado no início de 2025, após a vítima procurar a polícia. Ela relatou ter sofrido um prejuízo de quase R$ 40 milhões, o que levou os agentes a descobrirem um esquema muito maior.

Em depoimento, a aposentada contou que decidiu reinvestir o dinheiro recebido de uma herança, que estava aplicado em uma corretora tradicional, transferindo-o para a plataforma financeira indicada pelos criminosos. Os primeiros aportes, feitos em meados de 2024, foram de R$ 100 mil. Os valores aumentaram gradualmente para R$ 400 mil e R$ 500 mil, até chegarem a aportes milionários diários, de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões em um único dia.

As transferências continuaram até janeiro de 2025. A vítima decidiu denunciar o esquema após perceber uma queda repentina no valor das operações. Ao tentar resgatar parte do dinheiro, ela não obteve retorno, o que a levou a procurar a polícia. A denúncia foi fundamental para que os investigadores identificassem outras vítimas e a estrutura do grupo.

Entre os principais alvos da operação estão três donos de instituições financeiras que operam conversão de real para criptomoeda, dois estrangeiros — um deles sócio dessas instituições — e uma gerente de um banco tradicional que facilitava a abertura de contas usadas pela quadrilha. A polícia segue trabalhando para localizar os foragidos e identificar todos os envolvidos.

A Operação Criptoabate é um exemplo do avanço das investigações contra crimes financeiros no país. As autoridades alertam para a necessidade de desconfiar de promessas de altos rendimentos, especialmente em plataformas de investimento desconhecidas. A recomendação é verificar a idoneidade das empresas e nunca transferir valores para contas de terceiros sem antes confirmar a legalidade do serviço.

O caso segue sob investigação, e novas prisões não estão descartadas. A polícia gaúcha informou que trabalha em conjunto com as forças de segurança de São Paulo e Santa Catarina para desarticular completamente o esquema. A vítima, que preferiu não ser identificada, busca agora recuperar parte do prejuízo por meio da Justiça.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/como-herdeira-perdeu-r-37-milhoes-no-golpe-da-falsa-plataforma

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