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São Paulo

Prefeitura libera evento na marquise do Ibirapuera sem aval do patrimônio histórico

A Prefeitura de São Paulo permitiu a ocupação da Marquise do Parque Ibirapuera para o SP2B mesmo sem decisão final do Departamento do Patrimônio Histórico, que havia vetado montagens no local.

Imagem mostra evento em marquise do Parque IbirapueraFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
15 de agosto de 202602:37
Atualizado agora há pouco às 05:37

A Prefeitura de São Paulo autorizou a realização do evento SP2B na Marquise do Parque Ibirapuera, mesmo sem a decisão final do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) sobre as restrições apontadas para o espaço. O parecer definitivo sobre o uso da área tombada está previsto para a próxima segunda-feira (17/8), um dia após o encerramento do evento.

O SP2B, uma feira de negócios, empreendedorismo e inovação, ocupa desde o dia 9 de agosto parte significativa do parque, incluindo a marquise projetada por Oscar Niemeyer. A programação inclui palestras, shows e atividades diversas, com ingressos que chegam a R$ 4.720 na categoria 'platinum', valor equivalente a quase três salários mínimos.

O DPH aprovou a realização do evento no Ibirapuera, mas impôs ressalvas. Entre elas, determinou que estariam 'vedadas quaisquer montagens sob a Marquise Ibirapuera José Ermírio de Moraes'. No entanto, estruturas como palcos e estandes foram instaladas no local desde a abertura do evento, contrariando a orientação técnica.

A ocupação da marquise gerou divergência entre os órgãos municipais. A Associação dos Amigos do Parque Ibirapuera (Appit) e conselheiros do parque enviaram denúncias ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a órgãos municipais contra as irregularidades, apontando possível dano ao patrimônio histórico e à fruição visual do espaço.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo informou que a deliberação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) sobre o caso está agendada para 17 de agosto. A administração municipal não comentou o fato de a decisão ocorrer após o término do evento.

O Parque Ibirapuera é tombado e a marquise é considerada um dos principais ícones da arquitetura moderna brasileira. A instalação de estruturas sob a marquise sem a devida autorização pode comprometer a integridade do bem cultural e gerar sanções aos responsáveis, caso seja comprovada a irregularidade.

Especialistas em preservação do patrimônio destacam que a ocupação de áreas tombadas exige análise prévia e criteriosa dos órgãos competentes. A falta de alinhamento entre as decisões da Prefeitura e as recomendações do DPH levanta questionamentos sobre o cumprimento das normas de proteção ao patrimônio histórico da cidade.

O evento segue até domingo (16/8), com expectativa de grande público. Ainda não há posicionamento oficial da organização do SP2B sobre as denúncias ou sobre a decisão do Conpresp, que deve ser divulgada na próxima semana.

A situação reacende o debate sobre a necessidade de conciliar a realização de grandes eventos em áreas tombadas com a preservação do patrimônio. A sociedade civil e os órgãos de controle acompanham o desfecho do caso, que pode estabelecer precedentes para futuras ocupações em espaços históricos da capital paulista.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/evento-ocupa-marquise-do-ibirapuera-sem-aval-de-orgao-do-patrimonio

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