O primeiro ato de campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, realizado nesta segunda-feira (17/8) no centro da capital paulista, foi marcado por um episódio de hostilidade contra a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede). Ela participava da caminhada ao lado de Haddad e das candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva, quando foi abordada por um homem não identificado.
Imagens registradas durante o ato mostram o momento em que um homem grita: «Voltou para o lugar do crime». Em seguida, Marina Silva explicou a jornalistas que havia se afastado do grupo por causa de uma lesão na coluna, para evitar o empurra-empurra, e foi surpreendida pela abordagem.
«Uma pessoa que eu não sei quem é, e não quis se identificar, atirou-se na minha frente com agressividade. Era um homem com gestual muito agressivo, eles estão fazendo isso o tempo todo com o Haddad e agora fizeram comigo. Eu espero e trabalharei muito pra que sejam casos isolados», disse a ex-ministra.
O episódio ocorre em um contexto de campanha eleitoral tenso, marcado por ataques verbais e tentativas de intimidação a candidatos. A caminhada foi a largada oficial da campanha de rua de Haddad, que escolheu o centro de São Paulo para o primeiro ato público.
Em seu discurso, Haddad reforçou propostas voltadas à segurança pública das mulheres, mencionando o plano de segurança já lançado. «Nós já lançamos o plano de segurança pública, que tem um foco muito grande na segurança das mulheres. Não é apenas o feminicídio que nos preocupa. Obviamente que é o crime mais hediondo, mas as lesões corporais, a importunação sexual e o assédio também vão estar no centro das nossas atenções», afirmou.
O candidato também defendeu a melhoria da saúde e da educação públicas no estado. «A questão da saúde pública é algo que também vai receber uma atenção especial no caso das mulheres e a educação pública em geral. Toda mãe quer seu filho matriculado numa escola de qualidade. Infelizmente, nós estamos perdendo qualidade na rede pública, sobretudo na rede estadual do estado de São Paulo», declarou.
A esposa de Haddad, Ana Estela, também discursou brevemente durante o ato, agradecendo o apoio feminino. «Estamos juntas e juntos por uma São Paulo melhor, mais humana, com mais saúde, com mais educação, por um Senado melhor, que defenda os interesses de todos e principalmente por mais mulheres na política», disse.
Sobre a educação no estado, Haddad criticou a gestão do adversário Tarcísio de Freitas (Republicanos). «Essa coisa de revogar é sempre muito difícil, porque depois de um contrato assinado é muito complexo», afirmou, referindo-se a possíveis mudanças em políticas educacionais.
A hostilidade contra Marina Silva foi repudiada por integrantes da campanha e por apoiadores presentes. Até o momento, não há informações sobre a identificação do agressor ou se ele será processado.
A caminhada reuniu mulheres de diferentes regiões da cidade e marcou o início da mobilização de rua da campanha petista no estado. A segurança das candidatas e a tolerância política devem ser temas centrais nos próximos atos de campanha.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/marina-silva-e-alvo-de-hostilidade-durante-caminhada-ao-lado-de-haddad

