A Justiça de São Paulo condenou a ex-jogadora de futebol Luciana Ortega Urriolagoitia por difamação contra o ex-técnico do Santos Kleiton Lima. A decisão, proferida pela juíza Denise Gomes Bezerra Mota no dia 13 de agosto, estabeleceu pena de três meses de detenção em regime aberto, convertida em prestação de serviços à comunidade, além de multa e indenização de R$ 20 mil por danos morais.
O caso teve início em 2024, quando Luciana, então atleta do clube, acusou Kleiton de assédio sexual durante uma feira livre no litoral sul de São Paulo. Segundo a sentença, a ex-jogadora teria levado a acusação a dirigentes do Santos e a outras jogadoras, o que configurou o crime de difamação.
Na avaliação da magistrada, as provas colhidas no processo não sustentam a acusação de assédio sexual. A juíza apontou que, quando muito, os elementos indicariam a ocorrência de assédio moral, relacionado a cobranças sobre a forma física da atleta. A decisão destaca que Luciana manteve as acusações mesmo depois de ser alertada sobre a gravidade das afirmações.
A juíza também mencionou uma carta que narrava os supostos assédios, divulgada na imprensa. Contudo, não ficou comprovado que Luciana tenha enviado o material aos veículos de comunicação, o que evitou o aumento da pena por publicidade.
A falta de retratação pública por parte da ex-jogadora foi interpretada como objetivo de atingir a reputação do treinador. A defesa de Luciana afirmou ao Metrópoles que ela é inocente e que pretende recorrer da decisão. Já a defesa de Kleiton Lima comemorou o resultado, afirmando que a sentença restabelece a verdade dos fatos.
O caso gerou repercussão no meio esportivo e reacendeu o debate sobre acusações de assédio no futebol feminino. Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam a importância de apurar denúncias com rigor, mas também alertam para os riscos de acusações infundadas que podem destruir carreiras.
A condenação, no entanto, não encerra a discussão sobre o ambiente de trabalho nos clubes. A sentença reconhece que houve cobranças excessivas sobre o condicionamento físico da atleta, o que pode caracterizar assédio moral. O Santos Futebol Clube não se manifestou oficialmente sobre o caso até o fechamento desta matéria.
Luciana Ortega, que teve passagens por clubes como Santos e Seleção Brasileira, agora enfrenta as consequências judiciais da acusação. A decisão serve de alerta para a necessidade de responsabilidade ao fazer denúncias públicas, ainda que em contextos de vulnerabilidade.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-condena-ex-jogadora-que-acusou-ex-tecnico-santos-de-assedio

