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São Paulo

Alckmin defende apuração sobre vínculo de Tarcísio com banco e cobra transparência

Vice-presidente afirma que doações são permitidas, mas que não podem estar ligadas a benefícios de governo; crise no STF também foi citada.

Foto: Rebeca Ligabue/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
6 de setembro de 202604:35
Atualizado agora há pouco às 07:35

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, defendeu a abertura de investigação sobre a suposta relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o Banco Master. Em entrevista ao Metrópoles, Alckmin afirmou que doações de campanha são legais, mas que não podem estar condicionadas a vantagens no governo. "Não tem problema as pessoas fazerem doações para a campanha; a lei permite, pessoa física, não jurídica. Agora, o que não pode é vincular isso a benefícios de governo, então cabe a investigação", disse.

As declarações ocorrem após revelações de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em proposta de delação premiada, relatou que doações de R$ 5 milhões feitas em 2022 para as campanhas de Tarcísio e do ex-presidente Jair Bolsonaro teriam sido uma negociação de propina envolvendo Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário do governo paulista. O montante teria sido dividido em R$ 2 milhões para o governador e R$ 3 milhões para o ex-presidente.

Alckmin também comentou a crise no Supremo Tribunal Federal, com ministros citados em investigações relacionadas ao mesmo caso. "Acho que tem que ter o que a sociedade espera, a população brasileira espera. Espera que haja investigação e que a investigação traga a verdade. Traga a verdade e que tenha consequências. Ninguém está acima da lei", destacou.

O vice-presidente enfatizou que a responsabilidade aumenta conforme a posição ocupada. "Quanto mais alto o cargo, mais alta a responsabilidade, maior o dever de cumprir a lei e de dar exemplo. Então, defendo que se apure, doa quem doer", afirmou, acrescentando que o governo Lula respeita a autonomia da Polícia Federal e do Ministério Público.

A referência indireta a Bolsonaro se deve às mudanças feitas por ele na direção da PF durante seu mandato, sob alegações administrativas, mas que foram vistas como tentativa de interferência política. Alckmin elogiou a postura do atual governo: "Ninguém da Polícia Federal é ameaçado. Nenhum diretor é substituído porque investigou A, B ou C. O Ministério Público tem total liberdade".

No campo eleitoral, Alckmin comentou a campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, que tem criticado a gestão de Tarcísio. "Tem o caso da Sabesp, que não é o fato de ter privatizado, mas você tem uma das melhores e maiores empresas do mundo, não tem um concorrente, é uma coisa estranha", pontuou, citando ainda problemas na segurança pública e na educação.

Alckmin afirmou que Haddad "está caminhando" ao expor as fragilidades do adversário. As declarações foram dadas em meio ao ato convocado por apoiadores de Bolsonaro para o 7 de Setembro, na avenida Paulista, em São Paulo.

O caso envolvendo o Banco Master e políticos tem gerado repercussão nacional, com pedidos de esclarecimento e investigações em curso. A delação de Vorcaro, que também envolve seu cunhado Fabiano Zettel, maior doador dos políticos na ocasião, é um dos principais elementos das apurações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/alckmin-pede-investigacao-sobre-tarcisio-e-master-traga-a-verdade

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