O envelhecimento da população paulista ganhou destaque na disputa pelo governo de São Paulo. Os dois principais candidatos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), incluíram em seus programas de governo medidas voltadas ao eleitorado com 60 anos ou mais, segmento que não para de crescer no estado.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que os eleitores idosos já correspondem a 25% do total de aptos a votar no pleito de outubro. Nos últimos dez anos, esse contingente cresceu 36,2%, um acréscimo de 2,2 milhões de pessoas. Atualmente, cerca de 8,1 milhões de paulistas têm 60 anos ou mais, o que representa 17,6% da população estadual.
O crescimento também é notado entre os maiores de 70 anos, para quem o voto é facultativo. Eles somam 3,8 milhões de eleitores, alta de 8,5% na comparação com as eleições de 2022, quando eram 3,5 milhões.
Especialistas alertam que as políticas públicas precisam acompanhar essa mudança no perfil demográfico. Marília Berzins, diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP), afirma que é essencial priorizar investimentos em pessoas idosas. «Temos 17,6% do total de habitantes do Estado de São Paulo com 60 anos ou mais e isso só vai aumentar», destaca. Para ela, qualquer gestor deve colocar em prática o que já garante o Estatuto da Pessoa Idosa, atualizando as políticas conforme as novas demandas.
Tarcísio, que busca a reeleição, propõe o Programa Cuidar Para Todos, com foco em eliminar os chamados vazios assistenciais em regiões vulneráveis. A iniciativa prevê uma rede integrada de atenção à pessoa idosa, programas habitacionais e ações para promover a autonomia desse público.
Entre as medidas anunciadas estão a capacitação de familiares e cuidadores, além de atividades de convivência para reduzir o isolamento social e combater o preconceito etário. Na área de segurança, o plano menciona o aprimoramento do atendimento a casos de violência contra idosos nas delegacias e a criação de ambientes acolhedores. Para a inclusão no mercado de trabalho, o candidato pretende adaptar o Qualifica SP, programa de qualificação profissional, ao público 60+.
Já Haddad planeja criar o Programa Estadual da Pessoa Idosa, que terá como pilares a saúde, a moradia e a regulamentação da profissão de cuidador. A proposta busca assegurar atendimento digno e suporte às famílias, além de garantir direitos previstos em lei.
A disputa pelo voto do eleitorado idoso ocorre em um momento em que o Estado de São Paulo enfrenta o desafio de adaptar serviços públicos, transporte e saúde a uma população cada vez mais longeva. Os candidatos têm usado o tema em campanha, prometendo políticas que vão desde a prevenção de doenças até a criação de espaços de convivência.
Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que é fundamental que as propostas saiam do papel e se convertam em ações concretas, com orçamento garantido. «Qualquer governante, qualquer gestor político precisa pôr em prática o que já é garantido pelo Estatuto da Pessoa Idosa», reforça Berzins.
O eleitorado 60+ deve ser decisivo na eleição, não apenas pelo volume, mas pela alta taxa de comparecimento às urnas. Os candidatos, por sua vez, tentam conquistar esse público com promessas de mais qualidade de vida e respeito aos direitos da pessoa idosa.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/eleitorado-60-quais-sao-as-propostas-de-tarcisio-e-haddad-em-sp

