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São Paulo

Inquérito aponta possível ligação de empresa de ônibus com Marcola após racha no PCC

Investigação da Polícia Civil e do MPSP que resultou na Operação Vectura Corrupta traz diálogos que mencionam suposta relação entre a A2 Transportes e o líder da facção; empresa nega envolvimento.

Marcola, líder máximo do PCCFoto: Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
17 de setembro de 202618:30
Atualizado agora há pouco às 21:30

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram na manhã desta quinta-feira (17/9) a Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte público. Entre os alvos está a A2 Transportes, que, segundo o inquérito obtido pelo Metrópoles, pode ter relação com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, principal liderança da facção criminosa.

O documento policial apresenta diálogos entre José Daniel Satilite e Claudionor Tomaz, sócios da viação Trans Líder, concessionária de ônibus em Cubatão, na Baixada Santista, também alvos da operação. Nas conversas, os dois discutem o racha interno que teria começado no PCC a partir de 2024, quando uma disputa entre lideranças dividiu a organização.

De acordo com o inquérito, o conflito teria se intensificado após Marcola ser acusado de delatar Roberto Soriano, o Tiriça, outro nome de peso da facção. A acusação teria partido de Abel Pacheco, conhecido como Vida Loka, criminoso com longo histórico no grupo. A delação é considerada uma prática inaceitável dentro da ética do crime.

A situação teria se agravado depois que Vida Loka e Andinho (Wanderson Nilton de Paula Lima), outra liderança do PCC, ouviram a gravação de uma conversa de Marcola com o chefe de segurança do Presídio Federal de Porto Velho, em 2022. No áudio, o líder da facção dá a entender que Tiriça seria o responsável pelas mortes de funcionários penais federais.

Esse episódio teria levado Vida Loka e Andinho a decretar a expulsão de Marcola da facção. A decisão, porém, não foi aceita por todos, gerando uma divisão entre dois lados: um favorável a Tiriça, que acabou deixando o PCC, e outro alinhado a Marcola. É nesse contexto que o diálogo entre José Daniel e Claudionor se insere.

Na conversa, José menciona «o nosso amigo lá, da Carla», em referência a Antonio Muller, o Granada, afirmando que ele já teria se posicionado sobre de qual lado ficaria — no caso, o do «M maior», ou seja, Marcola. Em resposta, Claudionor afirma que «o pessoal daqui», que a polícia entende ser possivelmente da A2 Transportes, é «M Futebol Clube», indicando apoio a Marcola.

Claudionor também afirma que o «pessoal da verde», em referência a outra empresa de transporte, é «T Futebol Clube», isto é, aliados de Tiriça. Para os investigadores, o trecho evidencia o estreito relacionamento entre membros das empresas investigadas e o crime organizado.

A A2 Transportes negou qualquer envolvimento com o PCC ou com práticas ilícitas. Em nota, a empresa afirmou que seus recursos provêm exclusivamente de contratos com a prefeitura e que desconhece as acusações. A operação segue sob sigilo e novas diligências podem ser realizadas nos próximos dias.

Procurada, a Polícia Civil informou que não se manifestará sobre o conteúdo do inquérito neste momento. O MPSP também não comentou os detalhes da investigação até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.

A Operação Vectura Corrupta investiga a infiltração do PCC em empresas de transporte público e já cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. As apurações buscam esclarecer a extensão da suposta relação entre as empresas e a facção criminosa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/empresa-de-onibus-alvo-de-operacao-pode-ter-elo-com-marcola-diz-policia

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