A Polícia Civil de São Paulo não localizou o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite e outros cinco alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na manhã desta quinta-feira (17/9). A ação investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas que operam o transporte público no estado.
Foram expedidos 16 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Até o momento, os presos foram encaminhados à Cadeia Pública de Mogi das Cruzes e passarão por audiência de custódia nesta sexta-feira (18). As diligências prosseguem em outros locais.
Milton Leite negou estar foragido e afirmou que pretende se apresentar à polícia em até 24 horas. A declaração foi dada ao Metrópoles antes do balanço da operação. O ex-vereador é um dos alvos dos mandados de prisão temporária.
Entre os detidos está o candidato a deputado estadual Danilo Morgado, preso durante a operação. A investigação aponta que o esquema utilizava empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais para favorecer a facção.
A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. Na ocasião, uma ocorrência relacionada ao tráfico de drogas em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, levou à apreensão do celular de um integrante do PCC.
Mensagens encontradas no aparelho revelaram um esquema estruturado para branquear valores oriundos do tráfico de drogas. A mesma investigação menciona a contaminação de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior pelo crime organizado.
Segundo as autoridades, ao menos 12 das 22 empresas de ônibus da capital paulista estariam sob controle do PCC. Também haveria uma empresa em Cubatão, na Baixada Santista, e outra em Leme, no interior do estado.
Os criminosos usariam sócios formais das concessionárias como laranjas para ocultar os verdadeiros proprietários. Além disso, o grupo promoveria ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios.
A investigação relata que as empresas passariam a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos. As facilidades no setor seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais e da cooptação de servidores.
As apurações continuam e novos desdobramentos podem ocorrer. A reportagem procurou os citados e permanece aberta a manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pcc-nos-onibus-milton-leite-e-outros-5-alvos-ainda-nao-foram-localizados

