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São Paulo

Nenhuma cidade do Brasil atinge condições adequadas para mulheres, aponta índice inédito

Levantamento da Tewá 225 avalia 5.570 municípios e mostra que Águas de São Pedro (SP) lidera, mas nenhum alcança pontuação considerada adequada; participação política e saúde são os principais gargalos.

Cidade em SP tem o melhor indíce do país em condições de vida das mulheresFoto: Gui Prímola/Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
22 de setembro de 202602:20
Atualizado agora há pouco às 05:20

Um levantamento inédito sobre as condições de vida das mulheres nos municípios brasileiros revelou que nenhuma das 5.570 cidades do país oferece condições consideradas adequadas para a população feminina. O estudo, denominado Índice Municipal de Gênero (IMG), foi elaborado pela Tewá 225 e analisou 17 indicadores em áreas como saúde, educação, trabalho e renda, participação política, segurança, proteção social, infraestrutura e mobilidade.

A cidade de Águas de São Pedro, no interior paulista, obteve a melhor colocação geral, com 67,06 pontos. Apesar da liderança, o município de menos de 3 mil habitantes ainda está distante de um patamar considerado satisfatório. Na outra ponta, Uiramutã, em Roraima, registrou a pior pontuação: 28,14 pontos, com população de quase 14 mil pessoas.

A média nacional do índice ficou em 50,60 pontos. Entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, Curitiba (PR) apresentou o melhor desempenho, com 65,08 pontos. O cenário geral, no entanto, evidencia dificuldades persistentes: em 87,18% dos municípios, pelo menos uma das dimensões avaliadas ficou abaixo de 30 pontos. Além disso, em nove de cada dez cidades, participação política ou saúde estão entre as áreas com os resultados mais baixos.

A participação política é o principal entrave identificado pelo estudo. A média nacional nessa dimensão é de apenas 29,59 pontos, e 68,7% das cidades não possuem Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Regionalmente, o Nordeste apresenta a maior média nesse quesito, com 38,17 pontos, enquanto o Sudeste registra a menor, de 22,14.

A saúde também aparece como um gargalo relevante, com média nacional de 30,42 pontos. De acordo com o levantamento, somente 24,74% das gestantes realizaram seis ou mais consultas de pré-natal. O acesso a exames preventivos, como o Papanicolau, também é restrito: apenas 36,14% das mulheres têm acesso a esses procedimentos. Na saúde, o Sul lidera com 37,29 pontos, enquanto o Norte apresenta o pior desempenho, com 20,51.

As disparidades regionais se refletem de forma mais acentuada sobre mulheres negras e indígenas. Segundo o estudo, 64,15% delas estão na região Norte do país, que concentra os piores indicadores. A análise aponta que, nas cidades com os piores desempenhos, essas mulheres são as mais afetadas pela falta de políticas públicas adequadas.

O levantamento utilizou critérios de disponibilidade, qualidade, atualização e cobertura municipal dos dados para definir os 17 indicadores. A proposta é oferecer um panorama detalhado que possa orientar gestores públicos na formulação de políticas voltadas à redução das desigualdades de gênero nos municípios.

Os resultados mostram que, mesmo nas cidades mais bem posicionadas, os desafios persistem em áreas essenciais como saúde e representação política. A pesquisa reforça a necessidade de investimentos contínuos e de estruturação de conselhos municipais para ampliar a participação feminina nas decisões públicas.

O índice também revela que a ausência de conselhos municipais dos direitos da mulher em quase 70% das cidades compromete o acompanhamento e a implementação de políticas específicas. A integração entre diferentes esferas de governo é apontada como caminho para melhorar os indicadores.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/cidade-sp-melhor-indice-mulheres

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