Um levantamento realizado a partir das prestações de contas eleitorais analisou as doações de pelo menos R$ 1 mil recebidas pelas campanhas de quatro candidatos ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. O estudo considerou as contribuições destinadas a Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), que aparecem nas primeiras posições das pesquisas de intenção de voto.
Segundo a apuração, os quatro candidatos estão tecnicamente empatados em levantamento recente do Datafolha, com Marina registrando 15%, Tebet 14%, e André e Derrite 12% cada, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Apesar da proximidade nas pesquisas, o perfil dos financiadores de cada campanha apresenta diferenças significativas.
Entre os doadores de Guilherme Derrite, chama atenção a presença de oficiais de cartórios de registro de imóveis de diversas cidades paulistas. Ao menos 27 desses profissionais aparecem na lista analisada, com contribuições que somam cerca de R$ 700 mil. As duas maiores doações individuais desse grupo foram de Vanda Maria de Oliveira Pena Antunes da Cruz, oficial do 16º Registro de Imóveis da capital, que transferiu R$ 150 mil, e de Rosvaldo Cassaro, do 15º Registro de Imóveis da capital, que doou R$ 130 mil.
A relação de doadores de Derrite também inclui nomes ligados a grupos empresariais e outros setores. Já a campanha de Marina Silva recebeu algumas das maiores contribuições individuais de empresários e integrantes de famílias tradicionais do setor financeiro, conforme o levantamento.
A lista de André do Prado é marcada por funcionários de seu próprio gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Essas contribuições, segundo a apuração, refletem um padrão de doações de assessores parlamentares, diferentemente dos demais candidatos analisados.
Simone Tebet, por sua vez, apresenta uma lista mais enxuta de doadores com contribuições acima de R$ 1 mil no material examinado. Excluindo a direção do PSB, são apenas três doadores nessa faixa, em comparação com cerca de 60 identificados nas campanhas de Derrite e de Marina.
O levantamento evidencia que, embora os quatro candidatos estejam próximos nas pesquisas, as fontes de financiamento variam bastante. Enquanto alguns recorrem a setores específicos, como cartórios ou o funcionalismo público, outros concentram doações de empresários e do mercado financeiro.
As informações foram obtidas a partir das prestações de contas eleitorais, que são públicas e servem para dar transparência ao processo. O estudo considerou apenas doações de valor igual ou superior a R$ 1 mil, o que permite traçar um panorama dos principais financiadores de cada campanha.
A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado segue acirrada, e o perfil dos doadores pode influenciar a dinâmica da campanha. A reportagem procurou os candidatos e partidos citados para comentar os dados, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/financiamento-pix-e-aliados-quem-doa-para-os-candidatos-ao-senado-por-sp

