O ex-ministro da Fazenda e coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (12) que os partidos políticos, especialmente os de campo progressista, precisam se abrir à participação dos jovens sem receio de perder protagonismo. A declaração foi dada em entrevista à Globonews.
«Se os partidos, sobretudo progressistas, tiverem inteligência, eles vão se abrir pra novidade, não vão temer, não deveriam temer perda de protagonismo dos caciques, dos mandatos e tudo mais. Isso deveria permear a sociedade», declarou Haddad.
A fala ocorre após o ato de mobilização em apoio à reeleição de Lula realizado no domingo (11), que contou com a presença do próprio presidente, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e dos deputados federais eleitos Luna Zarattini (PT), Erika Hilton (Psol) e Guilherme Cortez (Psol). O evento também foi convocado por fandoms da internet.
Segundo Haddad, o engajamento dos jovens possibilita o surgimento de novas lideranças dentro do campo progressista. Ele avaliou que a chamada perda de verticalidade do processo político representa uma boa notícia, pois permite que nomes que não se sentiam representados por espaços burocráticos possam se apresentar à opinião pública.
«Essa suposta perda de verticalidade do processo político é uma boa nova» porque isso vai fazer com que lideranças que não se sentiam à vontade de se apresentar para opinião pública, porque não viam nos espaços burocráticos um caminho pra isso, hoje vão conseguir se revelar», disse.
O ato de domingo teve como temas centrais a defesa da democracia e a mobilização para buscar eleitores ausentes no primeiro turno. Uma nova manifestação está prevista para a próxima terça-feira (13), no Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo.
Questionado sobre o resultado do primeiro turno, em que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03% dos votos e Lula ficou com 45,16%, Haddad afirmou que as entregas do presidente não são o único fator a ser considerado no diálogo com o eleitor.
«O presidente Lula levou uma vantagem tremenda sobre qualquer antecessor. Mas isso hoje não é a garantia de êxito numa eleição. Então o diálogo com o projeto, o diálogo com o futuro que está sendo feito do final do primeiro turno pra cá, eu penso que é algo que possa encantar mais», afirmou.
O ex-ministro da Fazenda também voltou a defender a transparência nas investigações envolvendo o Banco Master, classificando o momento como uma oportunidade de revisar práticas do país, incluindo no âmbito do Poder Judiciário. Ele ressaltou que o Judiciário não está acima da lei e deve ser o primeiro a prestar contas.
As declarações de Haddad reforçam a estratégia da campanha de ampliar o diálogo com novos segmentos e de apostar na renovação das lideranças como forma de fortalecer o campo progressista nas eleições.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-diz-que-partidos-nao-devem-temer-protagonismo-de-jovens-na-politica

