O motorista envolvido no atropelamento que resultou na morte de Carlos Boulos, tio do ministro Guilherme Boulos, declarou à Polícia Civil que freou bruscamente o veículo 'por pirraça' momentos antes da colisão. O caso ocorreu na noite de 3 de outubro, na Avenida 23 de Maio, região central de São Paulo, e a vítima faleceu três dias depois, em 6 de outubro, após permanecer internada em estado grave.
Segundo o depoimento de Amilton Jusselino Rodrigues, reproduzido em decisão judicial, Carlos Boulos buzinava repetidamente contra seu carro. O condutor afirmou que brecou o veículo em uma via de trânsito rápido para 'pirraçar', o que provocou uma batida e um desentendimento entre os dois. Em seguida, a vítima desceu do carro para confrontá-lo e foi atropelada. O motorista fugiu do local sem prestar socorro.
A denúncia por homicídio doloso qualificado por motivo fútil foi recebida nesta segunda-feira (19) pelo juiz Daniel de Medeiros Silva Corró, da 3ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo. O magistrado, no entanto, negou o pedido de prisão preventiva feito pelo Ministério Público Estadual, por considerar que a aplicação de medidas cautelares é suficiente para o momento.
Entre as medidas cautelares impostas, o investigado deverá comparecer mensalmente ao juízo para comprovar endereço e justificar atividades, não poderá mudar de residência sem autorização judicial e está proibido de se ausentar do domicílio por mais de oito dias sem prévia autorização. A Justiça também determinou a suspensão de sua habilitação para dirigir.
Amilton Jusselino Rodrigues não foi preso em flagrante porque o período de flagrante já havia se encerrado quando a polícia tomou conhecimento do caso. Além disso, as autoridades observaram o artigo 236 do Código Eleitoral, que impede a prisão de eleitores nos cinco dias que antecedem e nas 48 horas posteriores ao pleito, salvo em situações específicas, como flagrante por desrespeito a salvo-conduto ou por sentença condenatória.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens que mostram o momento em que Carlos Boulos está no meio da rua, tentando se aproximar do veículo, e é atingido. A defesa do motorista não foi localizada para comentar o teor do depoimento até a publicação desta matéria.
Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, manifestou-se publicamente sobre a morte do tio, classificando o episódio como uma 'violência' contra a vítima. O velório e o sepultamento ocorreram em São Paulo, sem registro de incidentes.
A investigação segue em curso na Polícia Civil, que deverá ouvir novas testemunhas e analisar imagens de câmeras de segurança da avenida. O inquérito deve ser concluído nos próximos dias, e o Ministério Público poderá oferecer denúncia adicional ou recorrer da decisão que negou a prisão preventiva.
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o processo tramita sob sigilo parcial para preservar as partes envolvidas. A reportagem tentou contato com o advogado de Amilton Jusselino Rodrigues, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/motorista-causou-atropelamento-e-morte-de-tio-de-boulos-para-pirracar

