Um biodigestor de baixo custo, desenvolvido por alunos e professoras de uma escola estadual em São Carlos, no interior de São Paulo, foi destaque em uma competição internacional realizada no Camboja. O equipamento, que custa cerca de R$ 320, é capaz de transformar restos de alimentos em biogás e biofertilizante, oferecendo uma alternativa sustentável e acessível para o tratamento de resíduos orgânicos.
O projeto foi criado pelo clube Tesla, grupo de pesquisa formado por estudantes e docentes da Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha. A iniciativa começou em 2020, sob orientação da professora de química Bárbara Daniela Guedes Rodrigues, e desde então vem sendo aprimorada com a participação ativa dos alunos.
O biodigestor utiliza bactérias anaeróbicas para decompor a matéria orgânica. Durante o processo, são gerados dois produtos: o biofertilizante líquido, que pode ser usado na agricultura, e o biogás, que pode ser aproveitado para geração de energia ou em fogões adaptados. O diferencial do equipamento é o custo: enquanto modelos comerciais podem chegar a R$ 15 mil, a versão desenvolvida pelos estudantes sai por aproximadamente R$ 320.
Além da escola, biodigestores do clube Tesla já foram instalados em outros dois locais: na casa de uma estudante e em um assentamento rural da região. No assentamento, o biofertilizante vem sendo testado em cultivos de bananeira, com resultados positivos segundo a professora Bárbara.
A escola também planeja automatizar o sistema, com monitoramento de pH, controle de temperatura e sensores de segurança para evitar vazamentos. A professora de biologia Isabel Cristina Santana Kakuda, que acompanhou os estudantes ao Camboja, destaca que o biodigestor faz parte de uma estratégia mais ampla de educação ambiental. Os resíduos orgânicos dos cerca de 700 alunos são reaproveitados em projetos pedagógicos, como composteiras e horta escolar, e ações de conscientização buscam reduzir o desperdício de alimentos.
O convite para participar do International Creativity and Innovation Award (ICIA) 2026 – Global Round, no Camboja, surgiu após o projeto ser reconhecido em redes de inovação científica. A conexão com o pesquisador Marcos Nicolino, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), abriu portas para que o trabalho fosse apresentado a avaliadores internacionais. No evento, realizado em abril, o grupo recebeu medalha e certificado.
O estudante Brian Costa Viana, de 15 anos, destacou a importância de representar o trabalho em um evento internacional. Para ele, a experiência foi gratificante por levar a conscientização ambiental a outras comunidades. A professora Bárbara ainda se mostra surpresa com o reconhecimento: “A nossa escola recebeu o convite ouro. Eu ainda não acredito em tudo o que aconteceu”.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/com-custo-quase-50-vezes-menor-que-modelos-comerciais-biodigestor-criado-por-alunos-de-sp-ganha-destaque-internacional/


