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Araraquara

Pesquisador da Unesp ajuda a identificar inseto barbeiro encontrado pela primeira vez na Europa

Cientista brasileiro participou de estudo que identificou espécie de barbeiro em Lisboa, acendendo alerta para vigilância na Europa.

O pesquisador da Unesp auxiliou na identificação do inseto barbeiro encontrado pela primeira vez na Europa, em Lisboa. Foto: metropoles.com

Raphael Nogueira Felix
5 de julho de 202602:17
Atualizado agora há pouco às 05:17

Um pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, no interior de São Paulo, foi peça-chave na identificação de um inseto barbeiro encontrado vivo em Lisboa, Portugal. O caso, ocorrido em agosto de 2025, representa o primeiro registro de um exemplar vivo dessa espécie na Europa. O estudo foi publicado neste mês na revista científica Parasites & Vectors.

O inseto foi achado por um casal de turistas norte-americanos hospedado em um hotel na capital portuguesa. Apesar de não estar infectado pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, a ocorrência acendeu um alerta entre especialistas. O pesquisador Jader de Oliveira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp, foi consultado para identificar a espécie.

A espécie identificada foi a Hospesneotomae protracta, nativa do sudoeste dos Estados Unidos e do norte do México, especialmente de regiões desérticas como Califórnia, Arizona, Novo México e Texas. A confirmação veio por meio de análises genéticas, após uma primeira identificação baseada em características morfológicas.

Para Jader de Oliveira, o caso demonstra a relevância internacional do conhecimento produzido no Brasil sobre triatomíneos, como são chamados os insetos barbeiros. “A equipe era formada majoritariamente por pesquisadores norte-americanos e, ainda assim, recorreram ao conhecimento desenvolvido na Unesp para identificar a espécie”, destacou o cientista.

A principal hipótese para a chegada do inseto à Europa é o transporte passivo. “Essa espécie é relativamente pequena e acostumada a permanecer escondida em frestas e cavidades. Acredito que foi um indivíduo adulto que se deslocou da Califórnia em alguma bagagem ou compartimento de carga comercial”, explicou Jader.

A Europa não é uma região endêmica para a doença de Chagas, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que milhares de pessoas infectadas pelo parasita vivem atualmente no continente devido a fluxos migratórios. A descoberta em Lisboa reforça a necessidade de monitoramento também fora das áreas tradicionais de ocorrência dos insetos.

O pesquisador da Unesp ressaltou a importância do conhecimento acumulado ao longo de anos na faculdade para a rápida identificação do inseto. “Sem isso, talvez o caso passasse despercebido”, afirmou. O estudo foi publicado em julho de 2026 e já repercute na comunidade científica internacional.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pesquisador-unesp-barbeiro-europa

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