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São Paulo

Rede global de monitoramento define cepas da vacina contra gripe a cada temporada

Cientistas de mais de 130 países, coordenados pela OMS, acompanham mutações do vírus influenza para atualizar a composição do imunizante. No Brasil, Instituto Butantan produz a versão trivalente usada no SUS.

Cientistas monitoram mutações do vírus influenza para definir cepas da vacina contra gripe. No Brasil, Instituto Butantan produz a versão trivalente usada no SUS. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
30 de junho de 202607:35
Atualizado agora há pouco às 10:35

Antes de cada campanha de vacinação contra a gripe, uma pergunta move cientistas no mundo inteiro: quais cepas do vírus influenza devem circular com mais intensidade na próxima temporada? A resposta é construída por uma rede global de vigilância que monitora a evolução do patógeno e orienta a formulação das doses. No Brasil, o Instituto Butantan é responsável por fabricar a vacina trivalente distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o trabalho envolve centenas de laboratórios em mais de 130 países. “Trata-se de um esforço contínuo”, afirma a pesquisadora Isabela Carvalho Brcko, pós-doutoranda do Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS) do Instituto Butantan. Os dados coletados globalmente permitem definir a composição de milhões de doses capazes de proteger a população.

O vírus influenza é conhecido por sua capacidade de sofrer mutações rápidas, o que exige atualização constante da vacina. Existem três tipos que circulam entre humanos: Influenza A, B e C, mas apenas os dois primeiros causam epidemias sazonais. O tipo A é subdividido em subtipos conforme a combinação de duas proteínas de superfície: a hemaglutinina (HA) e a neuraminidase (NA). Até hoje, foram descritos 18 subtipos de HA e 11 de NA, mas os que mais circulam são A(H1N1) e A(H3N2).

O influenza B, por sua vez, é dividido em duas linhagens: Victoria e Yamagata. Desde 2020, não há registros da circulação de Yamagata, possivelmente extinta devido às medidas sanitárias da pandemia de Covid-19. Por isso, a OMS recomenda incluir apenas a linhagem Victoria na vacina trivalente.

As mutações do vírus ocorrem principalmente na região da hemaglutinina, responsável por se fixar nas células do hospedeiro. Com o tempo, essas alterações permitem que o vírus “escape” da resposta imunológica, gerando novas variantes. “Nem todos os vírus da gripe mudam no mesmo ritmo. O A(H3N2) tem velocidade de mutação maior que o A(H1N1), e o influenza B é mais lento”, explica Isabela Brcko.

Além das mutações graduais, o rearranjo antigênico pode provocar mudanças bruscas, como a troca de segmentos do genoma viral, impactando a infectividade ou a virulência. A vigilância global tenta identificar precocemente essas alterações para orientar a produção de vacinas.

A OMS coordena esse monitoramento desde o final dos anos 1940 por meio do Sistema Global de Vigilância e Resposta à Gripe (GISRS). No Brasil, a rede inclui 27 Laboratórios Estaduais Centrais de Saúde Pública (Lacens) e três laboratórios de referência credenciados pela OMS: Fiocruz (RJ), Instituto Adolfo Lutz (SP) e Instituto Evandro Chagas (PA). As amostras são coletadas em unidades de saúde chamadas “sentinelas”, que atendem pacientes com Síndrome Gripal ou Síndrome Respiratória Aguda Grave.

A cada ano, cerca de um bilhão de casos de gripe sazonal ocorrem no mundo, dos quais três a cinco milhões podem evoluir para quadros graves. A atualização constante da vacina é essencial para reduzir o impacto da doença.

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Fonte de referência: Agência SP — https://agenciasp.sp.gov.br/como-sao-escolhidas-as-cepas-do-virus

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