A comunicação feita pela Creche Luz do Brás aos pais de Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, levantou dúvidas sobre a transparência no momento do acidente que vitimou o bebê. Mensagens obtidas pela reportagem mostram que a família foi avisada apenas de que a criança havia 'passado mal', sem qualquer menção ao fato de que ela ficou com a cabeça presa entre uma grade e uma parede.
Na troca de mensagens, ocorrida na manhã de quarta-feira (22/7), o número da creche enviou ao pai a seguinte informação: 'Oie, bom dia. O Abdoulaye passou mal. Estamos levando ele para o hospital.' Em seguida, houve uma ligação de cerca de 30 segundos. Minutos depois, uma nova mensagem informou apenas o destino: 'UBS Mooca, UBS Mooca.'
Segundo o advogado da família, Erson de Oliveira, a forma como a notícia foi transmitida fez com que os pais acreditassem que o filho estava recebendo atendimento médico sem gravidade. 'Eles mandaram uma mensagem dizendo que a criança tinha passado mal. Os pais acreditaram que o filho estava passando por um atendimento médico', afirmou o advogado.
O acidente ocorreu durante uma atividade recreativa na Creche Luz do Brás, localizada na região central de São Paulo. De acordo com o boletim de ocorrência, o bebê colocou a cabeça no espaço entre uma grade e uma parede e ficou preso por aproximadamente sete minutos até ser retirado por funcionários. Ele foi levado à UPA Mooca, onde morreu.
A Polícia Civil investiga o caso como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Cinco funcionários da creche são investigados, entre eles a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro profissional. Perícias foram solicitadas ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal para esclarecer as circunstâncias da morte.
De acordo com o advogado da família, no momento do acidente os funcionários estavam participando de uma confraternização em comemoração ao aniversário da diretora. 'Juntou todos os funcionários e largaram as crianças à própria sorte', afirmou Erson de Oliveira. A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso e que presta assistência à família.
A investigação busca esclarecer se houve falha na supervisão do bebê e qual a responsabilidade de cada profissional. Imagens das câmeras de segurança da creche também fazem parte da apuração. A SME não confirmou diretamente a existência da comemoração, mas afirmou que adotará as medidas cabíveis após a conclusão das investigações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/passou-mal-mensagens-mostram-como-creche-avisou-pai-de-bebe-morto


