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Sorocaba

Técnica de enfermagem relatou suspeitas de maus-tratos contra bebê que morreu em Sorocaba

Profissional de saúde contou que alertou o Conselho Tutelar sobre sinais de negligência e lesões em Miguel, de 1 ano, antes de sua morte. Mãe e padrasto são réus por homicídio qualificado.

Técnica de enfermagem relatou suspeitas de maus-tratos contra bebê que morreu em Sorocaba. Foto: metropoles.com

Raphael Nogueira Felix
2 de julho de 202622:59
Atualizado agora há pouco às 01:59

Uma técnica de enfermagem que atendeu o bebê Miguel, de 1 ano, em uma unidade de saúde de Sorocaba (SP) afirmou que comunicou ao Conselho Tutelar as suspeitas de maus-tratos contra a criança, semanas antes de ela ser encontrada morta. O depoimento foi prestado em audiência na Comissão Especial da Câmara Municipal, realizada na última quinta-feira (2).

Segundo a profissional, o menino chegou ao local com hematomas na testa, fimose, assaduras e unhas compridas, indícios de falta de cuidados básicos. Durante o atendimento, a mãe, Gabrielly Franco Garcia, teria dito que Miguel reclamava de dores há algum tempo. Já o padrasto, Rafael Luis Alves Júnior, atribuiu os ferimentos a brincadeiras com um cachorro da raça pitbull.

A técnica de enfermagem informou que acionou uma assistente social enquanto o bebê era examinado. O médico responsável recomendou a internação e a transferência da criança para um hospital. A assistente social conversou com o casal e também contatou a avó de Miguel, que afirmou não ter contato com o neto por determinação da filha.

O caso foi levado ao Conselho Tutelar, mas, de acordo com os funcionários da unidade, não havia naquele momento sintomas suficientes para configurar uma denúncia formal de violência sexual. Miguel não retornou à unidade após aquele atendimento.

Em 1º de junho, o bebê foi encontrado morto pela Polícia Militar, após o casal alegar que ele teria se engasgado. Os policiais, no entanto, perceberam ferimentos na boca e na orelha da vítima, além de lesões nas mãos da mãe e manchas de sangue na blusa do padrasto. O laudo apontou traumatismo craniano como causa da morte, ocorrida horas antes do chamado.

Gabrielly e Rafael foram presos em flagrante, e a prisão foi convertida em preventiva. No fim de junho, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o casal por homicídio qualificado, com quatro agravantes: motivo fútil, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e crime contra menor de 14 anos. A denúncia também pede aumento de pena por serem mãe e padrasto da vítima.

O processo corre em segredo de justiça. A reportagem não localizou a defesa do casal para comentar as acusações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/enfermeira-alertou-sobre-maus-tratos-a-bebe-morto-com-sinais-de-abuso

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