A Justiça de São Paulo confirmou a condenação de um suposto líder religioso acusado de extorquir uma mulher em Rio Claro, no interior do estado. A decisão da 1ª Vara Criminal foi mantida em segunda instância, e o réu terá de cumprir pena de 9 anos e 26 dias de reclusão, em regime fechado.
De acordo com as investigações, o homem se aproveitou da fragilidade emocional e de problemas de saúde da vítima para convencê-la de que ela estava possuída por espíritos malignos. Ele teria cobrado inicialmente R$ 2,3 mil para realizar um suposto trabalho espiritual de expulsão dessas entidades.
Durante cerca de nove meses, o acusado teria ampliado as exigências financeiras, sempre sob a alegação de que os valores eram necessários para proteger a mulher de supostas ameaças espirituais. A vítima chegou a acumular um prejuízo de R$ 700 mil, quantia que comprometeu seu patrimônio pessoal.
A mulher, que enfrentava um quadro debilitado de saúde, foi levada a acreditar que, sem os pagamentos, poderia ser morta pelas entidades. Os relatos apontam que as ameaças eram constantes e explícitas, o que caracteriza o crime de extorsão, e não um simples golpe.
A relatora do recurso, desembargadora Fátima Vilas Boas Cruz, negou o pedido de absolvição por insuficiência de provas. Ela considerou que os depoimentos da vítima, de testemunhas e os comprovantes financeiros foram suficientes para comprovar a materialidade do delito.
Na decisão, a magistrada destacou que o réu se aproveitou da condição mental debilitada da vítima e de suas crenças religiosas para impor constante constrangimento. «A vítima descreveu inúmeras vezes as graves ameaças explícitas perpetradas pelo réu, aproveitando de sua condição mental de saúde debilitada e de suas crenças», observou.
O caso, que teve grande repercussão na região, serve de alerta para a prática de crimes cometidos sob a fachada de atividades religiosas. Autoridades orientam que fiéis desconfiem de cobranças abusivas e denunciem qualquer tipo de coação ou ameaça.
A condenação em segunda instância reforça o entendimento de que a exploração da fé alheia para obter vantagem financeira configura crime grave, passível de punição severa. O réu, que permanece preso, ainda pode recorrer às instâncias superiores.
A vítima, que tentou tirar a própria vida durante o período de pressão, recebeu acompanhamento e apoio de familiares. O caso também levanta discussões sobre a necessidade de amparo psicológico a pessoas em situação de vulnerabilidade.
A reportagem tentou contato com a defesa do condenado, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/homem-e-preso-apos-cobrar-r-700-mil-para-expulsar-espirito-maligno

